Habitação. Paulo Raimundo denuncia nova lei "feita à medida dos fundos imobiliários"

Habitação. Paulo Raimundo denuncia nova lei "feita à medida dos fundos imobiliários"

A RTP está a fazer entrevistas aos líderes partidários nacionais e o tema da habitação dominou a conversa com Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP.

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: RTP

No Telejornal, numa entrevista conduzida por Ana Lourenço, o líder comunista vincou que as pessoas “não estão na rua porque querem”, mas sim porque sentem uma “dificuldade brutal nas suas vidas”, com os problemas na habitação e baixos salários. 

Paulo Raimundo sublinhou também que a esmagadora maioria dos manifestantes não quer os protestos terminem em violência. “Já lhes basta a violência da precariedade e instabilidade”, acrescentou. 
O mesmo em relação às forças de segurança, que “também enfrentam violência na sua vida”, com os mesmos problemas e a “falta de reconhecimento das carreiras e condições de trabalho”. 

O secretário-geral do PCP considera que é essencial derrotar a nova lei do arrendamento porque “a situação hoje já é terrível”. A entrada em vigor desta legislação só iria aumentar ainda mais os despejos e os preços das rendas, sublinha. 

“O projeto do Governo terá impactos mínimos nos arrendatários normais. Isto é feito à medida dos fundos imobiliários”, argumenta ainda, acusando PSD, CDS-PP, Chega e IL de serem os “porta-vozes dos fundos imobiliários”. 

Questionado sobre as acusações de Luís Montenegro sobre a “importação” do clima de conflitualidade que se regista noutros países da Europa, Paulo Raimundo considera que é o primeiro-ministro quem está a importar um “modelo de sociedade” e um modelo de habitação “falhado”. 

Mais tarde, em entrevista mais alargada na RTP Notícias com Alberta Marques Fernandes, o líder do PCP insistiu que a nova lei sobre o arrendamento é feito à medida dos fundos imobiliários e não dos pequenos arrendatários.

“Serve os fundos imobiliários que compram um prédio, uma rua, uma aldeia”, referiu.
Criticou ainda os “dois mil milhões de euros em benefícios fiscais para residentes não habituais” e salientou que é necessário um “investimento público robusto para a habitação”. 

“O Governo, com as opções que está a tomar, não só não está a resolver como está a acentuar um problema”, vincou o secretário-geral do PCP. 

Em concreto, Paulo Raimundo considerou que deve haver maior investimento na habitação pública. 


“O mesmo Governo que admite que um país como o nosso gastar 3 por cento na guerra trava 1 por para habitação pública”, referiu o líder do PCP, apontando à promessa de Luís Montenegro para os gastos em Defesa na última cimeira da NATO. 

O líder comunista reconhece “não há uma bala de prata” que resolva todos os problemas da habitação, mas que se deve apostar na recuperação de casas já existentes. “Há 700 mil casas que estão vazias, podiam ser reabilitadas”, argumentou. 

Paulo Raimundo mostrou-se também crítico da banca, que apresenta “14 milhões de euros de lucros por dia”.
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